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5 SEGUNDOS DE PUNIÇÃO

Creio que não existe um pai que já não tenha colocado o filho de castigo por alguns minutos, algumas horas ou até mesmo por alguns dias, dependendo, é claro, do que o filho tenha feito. Mas colocar o filho de castigo por 5 segundos seria demais, não é mesmo? Imagina um pai dizendo ao filho: “O que você fez foi muito feio. Então, senta aí no sofá e fique de castigo por 5 segundos.” Hilário! Nenhum pai faria isso. Ou faria? Mas acredite! Um castigo de 5 segundos foi aplicado a um marmanjo. Estou me referindo à penalidade aplicada ao corredor tricampeão Lewis Hamilton no GP do Bahrain deste ano, por ter diminuído a marcha do carro mais do que deveria ao parar no box, apenas para atrapalhar e prejudicar o outro corredor que vinha atrás. Que coisa feia! Pode isso, Arnaldo? Perguntaria o pitoresco Galvão Bueno, se fosse uma infração num jogo de futebol. Quando vi o noticiário esportivo falando sobre essa penalidade aplicada ao Lewis Hamilton, pensei: uma penalidade de 5 segundos não é nada...

PARE DE RECLAMAR DA VIDA

Cada época carrega consigo o seu mal-estar. Não tem como evitá-lo. No entanto, quem nunca se percebeu dando mais valor ao passado do que ao presente, dizendo: "Naquele tempo..."? Sempre temos essa tendência de valorizar o passado e depreciar o presente, o que é uma grande besteira, pois ninguém pode viver no passado. Só se vive no presente. Por vezes, indevidamente, alguns crentes pensam que os tempos bíblicos retratados no Velho e no Novo Testamento eram melhores do que os tempos atuais. Não sei se você pensa assim, mas, apenas a título de comparação, permita-me fazer alguns recortes desses dois tempos bíblicos em relação ao nosso tempo. Viver no Velho Testamento era sentir na pele a dor de uma cirurgia sem assepsia, e o pior, a sangue frio. Estou falando da circuncisão, ou seja, a operação da fimose. Tudo bem que ainda hoje os judeus fazem isso, mas com certeza não cortam o prepúcio do menino com uma lasca de pedra afiada e sem anestesia. Entretanto, o sofrimen...

QUEM EDUCA OS FILHOS SÃO OS PAIS

Em um mundo de tantas ideologias controversas, espúrias, e, por que não dizer, malignas, existe uma que está tentando tirar dos pais o direito inalienável de educar seus filhos. Sob a justificativa do politicamente correto — que de correto não tem nada —, querem atingir em cheio a mente das nossas crianças. Com que intenção? Com que finalidade? Quem viver verá! Ou não verá, se Deus quiser! Tramita nos municípios e nos estados uma discussão sobre a inserção da ideologia de gênero no currículo das escolas. O que propõe essa ideologia? Propõe a desconstrução do conceito de família, composto por um homem e uma mulher, a partir do referencial masculino e feminino. Respeitando quem pensa diferente, a questão aqui é uma só: quem educa os filhos são os pais! A escola até pode contribuir para a convivência entre pensamentos diferentes e divergentes na sociedade, mas a transmissão dos valores espirituais e morais não pode ser vista como atribuição da escola. A escola não pode educar nossos fi...

O MAL DA VIDA

Para início de conversa, quero dizer que o mal da vida é a própria vida. Todo o movimento neurótico e doentio na vida reside no esforço hercúleo e insano de eliminar “o mal da vida”. Para aqueles que nutrem esse sentimento, promessa é o que não falta no mercado, tanto das indústrias farmacêuticas, com promessas de remédios que curam todos os males e eliminam todas as dores da vida, verdadeiros elixires da juventude, como, sejamos sinceros, as promessas das igrejas industrializadas, empresariais, mercantilistas, que prometem o que nem o próprio Jesus Cristo prometeu: vida boa, abastada, sem qualquer vestígio de dor, sofrimento, angústia, medo, desesperança, e por aí vai. A igreja só é lugar de vida quando ela não nega a vida com o mal-estar que a vida comporta. Penso que precisamos urgentemente de uma “desinstitucionalização” da igreja, assim como aconteceu na reforma psiquiátrica com a “desinternação” dos pacientes com transtornos mentais. Precisamos libertar os crentes das prisões, ...

A FÉ COMO SINTOMA!

É possível, frente à riqueza da fé bíblica, vivê-la como se fosse sintoma de uma neurose obsessivo-compulsiva, como escreveu Freud em seu texto “O Futuro de uma Ilusão”? Por que alguns homens da ciência desprezam a fé bíblica e alguns homens de fé desprezam a ciência? Quando comecei o curso de mestrado em psicologia, com viés psicanalítico, a professora responsável pelo curso fez a seguinte colocação em um encontro de orientação: “Ailton, você não me disse que era pastor!” A resposta foi imediata: “A senhora não perguntou.” O silêncio tomou conta da sala, onde somente eu e ela estávamos. Subentende-se que, se eu tivesse dito que era pastor, provavelmente não teria passado no processo seletivo. Mas tudo bem. O mestrado transcorreu bem e ela foi uma excelente orientadora. É fato que temos muitos crentes sinceros e dedicados ao estudo e à pesquisa, que conseguem articular muito bem as questões da fé com as questões relativas à ciência. Na verdade, elas não são inimigas. São irmãs. A fi...

DIVAGAÇÕES SOBRE A VIDA: ENQUANTO A MORTE NÃO VEM!

Vamos falar sobre a morte. Vamos falar sobre a vida. A morte não é inimiga da vida. Também não é amiga. É uma realidade. A morte limita a vida. Isso é fato. Mas é através dela que a vida pode ser vida, no sentido pleno da palavra. Quem sabe que vai morrer um dia deveria viver melhor hoje. Na verdade, tem a obrigação de viver melhor hoje. É pensando na realidade da morte que quero propor uma divagação sobre a vida. Não que tenhamos tempo de sobra. É justamente o contrário. Temos falta. Na verdade, a vida deveria ser contada ao contrário: menos um, menos dois, ..., menos sessenta, menos cem, menos cento e um e por aí vai. Pensar na vida como um recurso não renovável é uma maneira de viver melhor, com mais qualidade, com mais prudência, com menos tristeza e mais alegria, com menos covardia e mais coragem, com menos ódio e mais amor. Por que haveríamos de viver mal, reclamando da vida, se um dia não a teremos mais? Por que desprezar em vida as pessoas que amamos se um dia, ela ou nós, s...

EU E O OUTRO

"Para seres humanos, não existe vivência, existe apenas convivência. Nós só somos humanos com outros humanos. A nossa humanidade é compartilhada. Ser humano é ser junto.” (Mário Sergio Cortella). Dizem que a arte da convivência é aceitar o outro como ele é. No entanto, a diferença na relação com o outro é o que também nos assemelha: somos humanos, simplesmente humanos. Eu e o outro não somos diferentes, somos iguais. Somos matéria. Somos corpo. Somos emoção e razão. Somos paixão, pulsão, ilusão. Somos gente. Somos o que somos por conta do outro: pai, mãe, irmãos, amigos, professores, etc. É na relação com os múltiplos outros que somos constituídos, com a possibilidade de nos tornarmos melhores ou piores do que somos. Nossas escolhas ocupam um papel fundamental nesse sentido. Através delas, o eu se distingue do outro. A convivência do eu com o outro é uma arte com tons de comédia, drama, podendo, inclusive, tornar-se uma tragédia, dependendo das escolhas que cada um faz. Conviv...