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RACA - A QUESTÃO DA SAÚDE MENTAL NA IGREJA

Alguns dias atrás, fomos surpreendidos com a notícia do suicídio de um colega pastor no interior do nosso país. Segundo o que soubemos, a causa foi uma crise depressiva grave. Surgem as perguntas: um cristão pode enfrentar a depressão? E o pastor, o anjo da igreja, pode sofrer com problemas emocionais e psiquiátricos? E a fé em Deus, onde é que fica? Quem faz essas perguntas certamente não lê a Bíblia e, portanto, desconhece histórias como as de Agar, Elias, Jó, Davi, Jeremias, Pedro e tantos outros personagens bíblicos. Recentemente, a revista Christianity Today trouxe um artigo abordando a questão da saúde mental na Igreja, destacando uma pesquisa da LifeWay e da Focus on the Family, que afirma que um em cada quatro pastores reconhece estar lutando com problemas relacionados a doenças mentais. É importante destacar que a gama de problemas mentais é bastante extensa. Digo isso porque o estigma ainda vincula a doença mental à loucura evidente. Na verdade, há muitos casos sutis: pastor...

DELETA

"Deletar" é mais um dos muitos estrangeirismos que incorporamos à nossa língua. Quando usamos o computador para escrever um texto, compor um PowerPoint ou realizar qualquer trabalho, e algo sai errado, o processo de deletar — ou apagar — é simples. Muito simples. Basta apertar a tecla “delete” e pronto: apagou! Depois, é só começar de novo, sem nenhum trauma de consciência. Não há sacrifício, sofrimento, angústia, ansiedade, medo... nada disso. Mas deletar — ou apagar — da mente algo que saiu errado na vida não é uma tarefa fácil. É difícil. Muito difícil. Diante de uma situação desagradável, que machuca a alma e o coração, é comum ouvirmos a orientação dos conselheiros de plantão: “Você precisa esquecer isso.” Se forem um pouco mais moderninhos, dirão: “Deleta!” Como dizia minha velha e saudosa mãe, que durante muitos anos conviveu com uma lembrança amarga em sua vida, mas que, graças a Deus, conseguiu vencer: “Falar é fácil.” O processo de apagar da memória uma experiên...

EU, EU, EU, SOMENTE EU

Eco e Narciso são dois personagens da mitologia grega. A relação entre eles se deve ao fato de que Eco, uma bela ninfa, ficou fortemente apaixonada por Narciso, que era um belo rapaz. Eco era logorréica, ou seja, sofria de uma forte compulsão para falar. Por ter participado de uma trama que tinha por objetivo esconder o relacionamento do esposo de Hera, a esposa do poderoso Zeus, com outras jovens. Por conta disso Eco recebeu um duro castigo: a fala repetitiva, passando a viver como refém da fala dos outros. Narciso era um jovem muito bonito. Com um corpo sarado, tipo tanquinho, com lindos olhos azuis, cabelos dourados e encaracolados, despertava suspiro de todas as jovens que o cobiçavam. Mas Narciso não se deixava cativar por nenhuma delas. Ele era apaixonado por si mesmo. Era o maior admirador da sua própria imagem, suposta beleza. Tomada pela maldição lançada por Hera, a maldição da repetição, Eco se refugiou no deserto. Lá ela vê o jovem Narciso e fica ardentemente apaixonada p...

NÓS SOMOS UM. APENAS UM.

Você é um. Apenas um. Pai, esposo, filho e neto. Esposa, filha, mãe e avó. Mulher, empresária, dona de casa, secretária. Professor, aluno, empregado, diretor. Cidadão, policial, médico, paciente, enfermeiro, segurança. Papéis! Quantos papéis você desempenha na vida? Muitos, com certeza. Mas não se esqueça de uma coisa: você é um. Apenas um. Não somos melhores nem piores. Maiores nem menores. Nós somos um. Apenas um. Um singular. Um ímpar. Um, um. Mesmo tomados por diversos sentimentos e desejos, muitas vezes incoerentes e inconsistentes, que apontam para a nossa divisão interna — “O bem que eu quero não faço, mas o mal que não quero, esse sim eu faço.” — nós somos um. Apenas um. Mesmo que movidos pelo imperativo de uma cultura “multi”: multitarefa, multifuncional, multi-multi, que exige cada vez mais que nos desdobremos, nos multipliquemos, nos viremos, lembre-se sempre de uma coisa: você é um. Apenas um. Portanto, pense bem antes de aceitar todos os pedidos, todas as solicitações d...

DEUS É PAI! A DESCONSTRUÇÃO E A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE DEUS

Quem é Deus como Pai? Não existe conceito mais difícil de ser assimilado do que o conceito de Deus. Quem é Deus? Como Ele é? Como Ele age? Como Ele pensa? Conceituar Deus não é uma tarefa fácil. É uma tarefa impossível. A teologia até que se esforça, mas não consegue. Comentando sobre o esforço da teologia em definir Deus, Rubem Alves diz: “Começaria por informar meus leitores de que teologia é uma brincadeira, parecida com o jogo encantado das contas de vidro que Hermann Hesse descreveu, algo que se faz por puro prazer, sabendo que Deus está muito além de nossas tramas verbais. Teologia não é rede que se teça para apanhar Deus em suas malhas, porque Deus não é peixe, mas Vento que não se pode segurar...”. Essa crítica não invalida o estudo da teologia, muito menos os seus postulados. Simplesmente a situa, convocando-a a tomar o seu devido lugar. Em muitos casos, o conceito que algumas pessoas têm sobre Deus está mais atrelado à experiência da infância — na relação com o pai terre...

A EQUAÇÃO DA VIDA

Eu nunca fui bom em matemática, especialmente em álgebra. Esse negócio de misturar números com letras, trocando-os de lado, tomando sempre o cuidado com a inversão dos sinais — que, se não for feita, faz toda a diferença e altera completamente o resultado — nunca foi comigo. Achar o coeficiente de “x” para depois multiplicar pelo coeficiente de “y” sempre foi demais pra mim. Mas tem gente que gosta. Que bom! O bonito da matemática é que, por meio da aplicação correta das fórmulas, o resultado sempre pode ser encontrado. Mas não podemos dizer o mesmo em relação aos problemas da vida. Eles existem, mas nós não sabemos com qual equação podemos resolvê-los. Isso não é um problema. É um problemão! Você já observou que o nosso problema é sempre maior do que o do outro — e vice-versa? É assim mesmo. É que, além de cada um saber onde aperta o seu calo, tem também aquela história de acharmos que somos o centro do mundo. Tem gente que reclama do cardápio, do paladar da comida, desconsiderando...

UMA PAIXÃO DOS INFERNOS

Não sei se você já assistiu ao filme Shrek. Aqui em casa todos assistimos, e até eu gostei da historinha de amor às avessas, quando o velho ogro se apaixona pela princesa Fiona. O amor é lindo — mesmo que os personagens sejam horríveis. Mas, daí a afirmarmos que toda noiva é bonita, não é verdade. Muito menos compararmos certos noivos a um casal de pombinhos. Chega a ser uma injúria comparar os pobres animaizinhos — símbolos da paz — com verdadeiros carcarás do sertão, que usam o bico para destroçar a presa. O que tem de noivos se bicando e se mutilando antes do casamento! Imagina quando casarem… Lendo o Dicionário de Mitos Literários, de Pierre Brunel, descobri que o ogro “é um personagem do conto popular da tradição oral africana e europeia”. Percebi que aquele monstrinho bonitinho do filme é, na verdade, a personificação do cão, do inferno, do diabo. Brunel, citando o Dicionário Bloch et Wartburg, afirma “que a palavra aparece em 1300 com sentido moderno e que ela — provavelmente ...