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DROGA DE VIDA

Fala sério! Às vezes, a vida parece ser muito boa. Mas tem horas, tem dias — as mulheres que sofrem com a famigerada TPM que o digam — em que ela parece uma droga. Em momentos assim, não é incomum ouvirmos ou falarmos: “Que droga de vida!”. Mas que “droga de vida” é esta, e que tipo de droga você está usando para lidar com essa dor, com esse sofrimento? Seria uma droga alucinógena, que interfere no sistema nervoso central e altera a percepção das coisas, dos fatos? Seria a droga da ilusão — a religião, por exemplo — que distorce a imagem da vida, levando alguns a acreditarem que é possível viver acima do bem e do mal, ou ter o céu na terra? Seria um psicofármaco de última geração, que anestesia a dor, mas não resolve a causa da dor? Que droga na vida pode eliminar o sentimento que leva uma pessoa a dizer: “Que droga de vida é esta que eu estou levando?”? Não podemos, ou não deveríamos, definir a vida a partir de uma moldura de retrato. A vida não é um retrato. A vida é um filme, co...

AUTOESTIMA: O QUE É ISSO?

Quantas pessoas sofrem por se classificarem ou por serem classificadas como pessoas que possuem uma baixa autoestima? Quantas pessoas se tornam reféns dos métodos e técnicas cada vez mais mirabolantes na busca de uma boa autoestima? Autoestima existe? Se existe, o que ela significa? Dizem que a autoestima está relacionada ao amor que a pessoa tem por si mesma. Mas de que tipo de amor estamos falando? Na mitologia grega encontramos a história de Narciso; um jovem muito bonito e desejado por praticamente todas as ninfas. Narciso se achava e assim menosprezava todas as belas jovens que se sentiam atraídas por tanta beleza. Isso até um dia em que uma dessas belas jovens rogou aos deuses que castigasse Narciso por tamanha soberba e vaidade. Autoestima não tem nada a ver com esnobação. Autoestima tem a ver com confiança, segurança, respeito por si mesmo e consequentemente pelo próximo. Quem se respeita, desrespeita o outro. Em geral, pessoas com problemas de autoestima tendem a projet...

MIXOFILIA OU MIXOFOBIA: QUAL SERÁ O SENTIMENTO DA IGREJA PÓS PANDEMIA?

No livro O amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, Zygmunt Bauman afirma: "A cidade favorece a mixofobia do mesmo modo e ao mesmo tempo que a mixofilia". Confesso aqui minha ignorância. Pensei: "O que ele está querendo dizer com esse jogo de palavras?" Fui pesquisar e entendi que a mixofilia (amor à mistura, estar junto) é o desejo pela boa convivência entre as pessoas que vivem em sociedade. Já a mixofobia é o medo dessa mistura, dessa convivência. A mixofilia aproxima as pessoas. A mixofobia separa. Fiquei pensando: vez por outra a igreja é acusada de mixofobia. Mas, do ponto de vista bíblico, não existe uma organização social que mais promova a mixofilia, a mistura entre as pessoas, do que a igreja. Há vários textos bíblicos que comprovam isso. Por exemplo, na carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo diz: "Pois todos quantos em Cristo fostes batizados, de Cristo vos revestistes. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; porque to...

EROS E PSIQUE: QUANDO O AMOR ACABA!

O amor é revestido de mistério e é justamente quando esse mistério é desvelado, descoberto, que uma pessoa que antes se sentia plenamente enamorada pela outra, diz: "o meu amor acabou". Reza o mito que Psique era uma jovem muito bonita e por conta disso muito admirada pelos mortais. Tal admiração despertou um grande ciúme em Afrodite, a bela deusa do amor, da beleza e do sexo, que condenou a Psique a viver no alto de uma montanha, totalmente isolada dos demais mortais, tendo como destino se tornar noiva de Thanatos, a morte. Que triste sina para uma jovem tão bonita. Abro aqui um parêntesis: a morte ronda o nosso psiquismo. Freud disse que a pulsão movida por Eros, o amor, busca a unidade de todas as partes como forma de preservação da vida. Já a pulsão de morte, regida por Thanatos, busca a desagregação e tem por objetivo o repouso, o fim, como forma de eliminação de toda e qualquer tensão. É no psiquismo que essas duas tensões se debatem e se equilibram. É é a partir ...

O NEGÓCIO & O ÓCIO

A correlação entre essas duas palavras é bem maior do que a maioria das mentes formatadas pelo slogan: "mente desocupada oficina do diabo", podem pensar. De origem latina a palavra negócio (NEGOTIUM), que se refere a transações de compra e venda, é a junção de duas palavras: NEC, um advérbio de negação e OTIUM, que significa: folga, descanso. Negócio, portanto, é a negação do ócio, do descanso e porque não dizer negação do laser, do passeio, do hobby, e por aí vai. A revolução industrial colocou o homem na fábrica apertando parafusos como se fosse um robô. Agora com a revolução tecnológica o robô ocupou o lugar do homem em boa parte das tarefas. O verbo agora não é mais apertar, mas teclar; o que pode ser feito de qualquer lugar, até mesmo do banheiro: basta ter um smartphone nas mãos. Era para ter sobrado tempo, mas não sobrou. Na fábrica a sirene sinalizava o fim do expediente, mas com o advento do homework não tem mais sirene e o trabalho pode entrar noite a dentro de m...

A SUPERANDO AS EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS

A vida é traumática por natureza. Já escrevi um artigo sobre isso. São muitos os fatores que podem gerar um trauma: desastres naturais, exposição a situações de violência, acidentes, perdas, abuso sexual etc. Por conta de todos esses fatores, concluo que estamos vivendo numa sociedade de pessoas politraumatizadas, o que justifica o grande e crescente número de casos de angústia, ansiedade, fobias e tantos outros sintomas psíquicos — e até mesmo somáticos — relacionados à síndrome pós-traumática. “Síndrome” é um termo que vem da medicina e caracteriza um conjunto de sinais e sintomas que podem ter mais de uma causa. (Dic Aurélio) A neurose traumática, como diz Alain de Mijolla, "designa um estado psicopatológico caracterizado por diferentes transtornos que sobrevêm, num prazo mais ou menos longo, em consequência de um intenso choque emocional." Freud foi um dos primeiros a destacar que os traumas que tanto atormentam a nossa vida têm origem na infância, mais especificamente ...

ESCREVA, REESCREVA, FALE, VOLTE A SONHAR!

É muito chato falar de um assunto tão desagradável como o que aconteceu na cidade de Brumadinho, por conta do rompimento de mais uma barragem da companhia Vale do Rio Doce. Mas por outro lado é importante falar como forma de não deixar que essa tragédia passe em branco e venha a se repetir pela terceira vez. Diz o ditado popular que errar uma vez é humano, mas errar duas vezes é burrice. No caso do rompimento da segunda barragem da companhia Vale do Rio Doce, não é burrice. É crime e cabe uma grande punição! Você já deve ter ouvido falar que os três grandes sonhos comuns a todas as pessoas, são: ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Mas e quando depois de tanta luta e esforço os filhos, as árvores plantadas, as anotações escritas na mente, são sepultados pela lama da incompetência, pelo amor ao vil metal? Diz a psicologia organizacional que não é correto chamar os trabalhadores de empregados, mas sim de colaboradores. Mas a luz do descaso da companhia Vale do Rio Doce...