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GRAMÁTICA DA VIDA

O que seria da vida se não fosse a linguagem? Quando se trata de vida humana, simplesmente não seria. O ser humano é razão e emoção, pensamento e sentimento — e é por meio da linguagem que ele se constitui como sujeito. É a partir da linguagem que surge a "gramática da vida". Essa gramática é tão essencial que podemos nos perguntar: foi o homem quem criou a gramática ou foi a gramática quem criou o homem? O que vem primeiro: o ovo ou a galinha? A gramática ou a vida? Dilemas à parte, o fato é que a vida só é possível por meio de uma linguagem que atravessa o sujeito antes mesmo de sua existência. Se há vida, há palavra. Se há palavra, há vida. Quando faltam as palavras, falta a vida. “Morto não fala.” Mas não devemos confundir a gramática da vida com a gramática da língua. A gramática da língua possui regras que precisam ser obedecidas. Já a gramática da vida subverte essas leis. Na linguagem da vida, a fala correta — a fala autêntica — é aquela que se forma nos tropeço...

SEXO NÃO É PECADO!

A associação entre sexo e pecado está relacionada a uma interpretação equivocada do chamado pecado original, em que o fruto proibido é representado pela figura de uma maçã bem avermelhada e aparentemente suculenta. No entanto, a relação sexual entre Adão e Eva nada tem a ver com o pecado original. Jayme Landmann, no livro Sexo e Judaísmo, afirma de forma generalista que “os cristãos pressupõem que o primeiro par vivia no Paraíso sem ter relações sexuais.” Inocentes! Entender o relato bíblico a partir desse ponto de vista mitológico, que associa o pecado original ao ato sexual, é um grave erro de interpretação das Escrituras. Fazer essa associação equivale a afirmar que, antes da queda, Adão e Eva — marido e mulher — viviam como anjos no paraíso: sem desejo, sem hormônios, sem libido. A persistência desse equívoco em pleno século XXI mostra o quanto ainda precisamos tratar com mais clareza as questões relativas à sexualidade humana. E esse é exatamente o objetivo deste texto: falar...

ANGÚSTIA, MEDO E FOBIAS

Podemos dizer que a angústia é o sentimento de base dos demais sentimentos. No entanto, para chegar à angústia, é preciso superar as barreiras do medo e das fobias. Em geral, esses sentimentos mascaram a angústia. Esta, por sua vez, é um afeto inquietante, que produz muita agitação. Pessoas angustiadas tendem a ser agitadas. É preciso ocupar-se com inúmeras tarefas para não sentir tanto a angústia. Via de regra, uma pessoa tomada pela angústia não sabe falar sobre ela. Algumas tentam descrever o que estão sentindo com o movimento de passar a mão sobre o peito, dizendo: “Estou sentindo um aperto, um nó na garganta, mas não sei descrever.” Essa pressão inquietante, esse sentimento indefinido, esse “nó na garganta” tem nome: angústia. É mais fácil alguém dizer que está com medo do que admitir que está angustiado. O medo tem um motivo aparente. Já na angústia, o motivo é velado, oculto, e precisa ser decifrado. Socialmente, é mais aceitável admitir uma fobia — que, dependendo de qual s...

A GOTA D'ÁGUA E A DEPRESSÃO

Coitada da última gota d’água. Quando a caixa d’água transborda, a culpa é sempre dela. Daí a expressão: “Essa agora foi a gota d’água que faltava.” E lá vai a coitada da gota d’água levando a culpa pelas demais gotas que, durante muito, muito tempo, foram se acumulando, até que a fatídica gota caísse no copo. Segundo uma tabela da SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), um gotejamento lento produz uma perda estimada de 10 litros de água por dia. Se for médio, 20 litros. Se for rápido, 32 litros. Faça as contas e veja quanto de água pode ser desperdiçado com um simples pinga-pinga. E quando essa água toda se acumula — seja em um copo, seja em uma caixa d’água — não tem jeito: um dia vai estourar. Vai transbordar. Quando as emoções “negativas” (uso as aspas porque, desde que sejam admitidas, não podem ser chamadas de negativas) se acumulam no mundo interior de uma pessoa, são como gotas d’água: mais cedo ou mais tarde, acabam transbordando. E é nesse momento...

ESTÁ COM MEDO? TUDO BEM!

O medo é um dos sentimentos mais comuns da vida. Ter medo é normal e sinal de saúde. O medo pode ser visto como um sensor que indica que há algo fora dos parâmetros normais, ameaçando o bom funcionamento do sistema. Ignorar os sinais dos sensores é uma das maiores imprudências que um técnico, engenheiro ou gestor pode cometer. Quantos acidentes poderiam ser evitados, quantas vidas poupadas, se déssemos mais atenção aos sinais. O rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho são exemplos claros disso. O sensor pode estar alterado, enguiçado, sinalizando um risco inexistente? Pode. Mas não custa nada verificar. Melhor dizendo: custa, sim, mas é melhor pagar para verificar do que pagar para ver o que vai acontecer. Vamos parar de falar mal do medo. Vamos parar de demonizar o medo. O medo existe. O medo é bom. O medo é um sinalizador. E a coragem? O que dizer sobre ela? Diante de situações que causam medo e espanto, é comum ouvirmos de algumas pessoas medrosas, que fingem ser ...

DROGA DE VIDA

Fala sério! Às vezes, a vida parece ser muito boa. Mas tem horas, tem dias — as mulheres que sofrem com a famigerada TPM que o digam — em que ela parece uma droga. Em momentos assim, não é incomum ouvirmos ou falarmos: “Que droga de vida!”. Mas que “droga de vida” é esta, e que tipo de droga você está usando para lidar com essa dor, com esse sofrimento? Seria uma droga alucinógena, que interfere no sistema nervoso central e altera a percepção das coisas, dos fatos? Seria a droga da ilusão — a religião, por exemplo — que distorce a imagem da vida, levando alguns a acreditarem que é possível viver acima do bem e do mal, ou ter o céu na terra? Seria um psicofármaco de última geração, que anestesia a dor, mas não resolve a causa da dor? Que droga na vida pode eliminar o sentimento que leva uma pessoa a dizer: “Que droga de vida é esta que eu estou levando?”? Não podemos, ou não deveríamos, definir a vida a partir de uma moldura de retrato. A vida não é um retrato. A vida é um filme, co...

AUTOESTIMA: O QUE É ISSO?

Quantas pessoas sofrem por se classificarem ou por serem classificadas como pessoas que possuem uma baixa autoestima? Quantas pessoas se tornam reféns dos métodos e técnicas cada vez mais mirabolantes na busca de uma boa autoestima? Autoestima existe? Se existe, o que ela significa? Dizem que a autoestima está relacionada ao amor que a pessoa tem por si mesma. Mas de que tipo de amor estamos falando? Na mitologia grega encontramos a história de Narciso; um jovem muito bonito e desejado por praticamente todas as ninfas. Narciso se achava e assim menosprezava todas as belas jovens que se sentiam atraídas por tanta beleza. Isso até um dia em que uma dessas belas jovens rogou aos deuses que castigasse Narciso por tamanha soberba e vaidade. Autoestima não tem nada a ver com esnobação. Autoestima tem a ver com confiança, segurança, respeito por si mesmo e consequentemente pelo próximo. Quem se respeita, desrespeita o outro. Em geral, pessoas com problemas de autoestima tendem a projet...