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O INFARTO DA ALMA

Existem várias maneiras de compreendermos a depressão. Como já mencionei em outras ocasiões, ela não é resultado de um único fator, mas de múltiplas causas que se entrelaçam. Hoje, quero abordá-la a partir de uma imagem, de uma alegoria: o infarto da alma. Uma espécie de estrangulamento interior, provocado pelo acúmulo de emoções não expressas e pelos traumas da vida que não foram devidamente elaborados, que estrangulam a alma, comprometendo o bom funcionamento do corpo. Para entender melhor essa ideia do infarto da alma, recorro a uma analogia com a medicina. O infarto do miocárdio acontece quando placas de gordura se acumulam nas artérias coronárias, obstruindo a circulação sanguínea. Quando uma dessas placas se rompe, forma-se um coágulo que interrompe o fluxo de sangue, comprometendo o bom funcionamento do coração, que acaba colapsando. Segundo dados amplamente divulgados, as doenças cardíacas seguem entre as principais causas de morte no Brasil. Também, segundo dados estatíst...

EROS E PSIQUÊ: AMOR COM ALMA E AMOR DESALMADO

Amor é uma palavra simples e complexa. Simples por ser amplamente utilizada. Complexa porque só tem sentido quando está relacionada a outra pessoa. Usado de modo isolado, solto, “amor” é uma palavra vaga e sem sentido. O amor não existe sozinho. Amor, do verbo amar, só existe quando é conjugado: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam. Simples assim. Será? No português, usamos a palavra “amor” para descrever diversas situações, com os mais variados sentidos. No grego, empregam-se três palavras com significados específicos para o que chamamos, genericamente, de amor: ágape — amor divino; philos — amor fraterno; eros — amor apaixonado, sexualizado. É sobre esse tipo de amor, sobre Eros, que quero falar. Farei isso a partir do mito grego entre Eros e Psiquê, como forma de destacar que não existe Eros sem Psiquê. Ou seja, não existe amor sem alma. Antes, porém, julgo importante destacar que eros, de onde vem a palavra erotismo, e pornos + graphô, origem da palavra ...

A FORÇA DE ATRAÇÃO DO NADA

Certa ocasião, quando participava de um congresso na cidade de Gramado, aproveitei a oportunidade para explorar as belezas daquela região. Foi então que conheci uma das vistas mais impressionantes do Brasil: o cânion Itaimbezinho. Uma paisagem simplesmente deslumbrante. Se você ainda não conhece, vale a pena conhecer. Mas tome cuidado: a altura do Cânion Itaimbezinho é de 720 metros e, como você sabe, o abismo atrai, deixa a gente meio zonzo e... O que existe no abismo para que ele exerça tamanha força de atração sobre as pessoas? Não existe nada. Mas o abismo é um nada que atrai. Como disse Nietzsche: “Quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você.” O nada, o abismo, tem a ver com a força especulativa e fantasiosa do desejo. O desejo é o canto da sereia que atrai os viajantes incautos. É por sermos seres do desejo que nos aproximamos do abismo. Somos atraídos por esse “nada pleno” que é o desejo — que, em algumas ocasiões, nos coloca em verdadeiras enrascadas...

GRAMÁTICA DA VIDA

O que seria da vida se não fosse a linguagem? Quando se trata de vida humana, simplesmente não seria. O ser humano é razão e emoção, pensamento e sentimento — e é por meio da linguagem que ele se constitui como sujeito. É a partir da linguagem que surge a "gramática da vida". Essa gramática é tão essencial que podemos nos perguntar: foi o homem quem criou a gramática ou foi a gramática quem criou o homem? O que vem primeiro: o ovo ou a galinha? A gramática ou a vida? Dilemas à parte, o fato é que a vida só é possível por meio de uma linguagem que atravessa o sujeito antes mesmo de sua existência. Se há vida, há palavra. Se há palavra, há vida. Quando faltam as palavras, falta a vida. “Morto não fala.” Mas não devemos confundir a gramática da vida com a gramática da língua. A gramática da língua possui regras que precisam ser obedecidas. Já a gramática da vida subverte essas leis. Na linguagem da vida, a fala correta — a fala autêntica — é aquela que se forma nos tropeço...

SEXO NÃO É PECADO!

A associação entre sexo e pecado está relacionada a uma interpretação equivocada do chamado pecado original, em que o fruto proibido é representado pela figura de uma maçã bem avermelhada e aparentemente suculenta. No entanto, a relação sexual entre Adão e Eva nada tem a ver com o pecado original. Jayme Landmann, no livro Sexo e Judaísmo, afirma de forma generalista que “os cristãos pressupõem que o primeiro par vivia no Paraíso sem ter relações sexuais.” Inocentes! Entender o relato bíblico a partir desse ponto de vista mitológico, que associa o pecado original ao ato sexual, é um grave erro de interpretação das Escrituras. Fazer essa associação equivale a afirmar que, antes da queda, Adão e Eva — marido e mulher — viviam como anjos no paraíso: sem desejo, sem hormônios, sem libido. A persistência desse equívoco em pleno século XXI mostra o quanto ainda precisamos tratar com mais clareza as questões relativas à sexualidade humana. E esse é exatamente o objetivo deste texto: falar...

ANGÚSTIA, MEDO E FOBIAS

Podemos dizer que a angústia é o sentimento de base dos demais sentimentos. No entanto, para chegar à angústia, é preciso superar as barreiras do medo e das fobias. Em geral, esses sentimentos mascaram a angústia. Esta, por sua vez, é um afeto inquietante, que produz muita agitação. Pessoas angustiadas tendem a ser agitadas. É preciso ocupar-se com inúmeras tarefas para não sentir tanto a angústia. Via de regra, uma pessoa tomada pela angústia não sabe falar sobre ela. Algumas tentam descrever o que estão sentindo com o movimento de passar a mão sobre o peito, dizendo: “Estou sentindo um aperto, um nó na garganta, mas não sei descrever.” Essa pressão inquietante, esse sentimento indefinido, esse “nó na garganta” tem nome: angústia. É mais fácil alguém dizer que está com medo do que admitir que está angustiado. O medo tem um motivo aparente. Já na angústia, o motivo é velado, oculto, e precisa ser decifrado. Socialmente, é mais aceitável admitir uma fobia — que, dependendo de qual s...

A GOTA D'ÁGUA E A DEPRESSÃO

Coitada da última gota d’água. Quando a caixa d’água transborda, a culpa é sempre dela. Daí a expressão: “Essa agora foi a gota d’água que faltava.” E lá vai a coitada da gota d’água levando a culpa pelas demais gotas que, durante muito, muito tempo, foram se acumulando, até que a fatídica gota caísse no copo. Segundo uma tabela da SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), um gotejamento lento produz uma perda estimada de 10 litros de água por dia. Se for médio, 20 litros. Se for rápido, 32 litros. Faça as contas e veja quanto de água pode ser desperdiçado com um simples pinga-pinga. E quando essa água toda se acumula — seja em um copo, seja em uma caixa d’água — não tem jeito: um dia vai estourar. Vai transbordar. Quando as emoções “negativas” (uso as aspas porque, desde que sejam admitidas, não podem ser chamadas de negativas) se acumulam no mundo interior de uma pessoa, são como gotas d’água: mais cedo ou mais tarde, acabam transbordando. E é nesse momento...

ESTÁ COM MEDO? TUDO BEM!

O medo é um dos sentimentos mais comuns da vida. Ter medo é normal e sinal de saúde. O medo pode ser visto como um sensor que indica que há algo fora dos parâmetros normais, ameaçando o bom funcionamento do sistema. Ignorar os sinais dos sensores é uma das maiores imprudências que um técnico, engenheiro ou gestor pode cometer. Quantos acidentes poderiam ser evitados, quantas vidas poupadas, se déssemos mais atenção aos sinais. O rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho são exemplos claros disso. O sensor pode estar alterado, enguiçado, sinalizando um risco inexistente? Pode. Mas não custa nada verificar. Melhor dizendo: custa, sim, mas é melhor pagar para verificar do que pagar para ver o que vai acontecer. Vamos parar de falar mal do medo. Vamos parar de demonizar o medo. O medo existe. O medo é bom. O medo é um sinalizador. E a coragem? O que dizer sobre ela? Diante de situações que causam medo e espanto, é comum ouvirmos de algumas pessoas medrosas, que fingem ser ...

DROGA DE VIDA

Fala sério! Às vezes, a vida parece ser muito boa. Mas tem horas, tem dias — as mulheres que sofrem com a famigerada TPM que o digam — em que ela parece uma droga. Em momentos assim, não é incomum ouvirmos ou falarmos: “Que droga de vida!”. Mas que “droga de vida” é esta, e que tipo de droga você está usando para lidar com essa dor, com esse sofrimento? Seria uma droga alucinógena, que interfere no sistema nervoso central e altera a percepção das coisas, dos fatos? Seria a droga da ilusão — a religião, por exemplo — que distorce a imagem da vida, levando alguns a acreditarem que é possível viver acima do bem e do mal, ou ter o céu na terra? Seria um psicofármaco de última geração, que anestesia a dor, mas não resolve a causa da dor? Que droga na vida pode eliminar o sentimento que leva uma pessoa a dizer: “Que droga de vida é esta que eu estou levando?”? Não podemos, ou não deveríamos, definir a vida a partir de uma moldura de retrato. A vida não é um retrato. A vida é um filme, co...

AUTOESTIMA: O QUE É ISSO?

Quantas pessoas sofrem por se classificarem ou por serem classificadas como pessoas que possuem uma baixa autoestima? Quantas pessoas se tornam reféns dos métodos e técnicas cada vez mais mirabolantes na busca de uma boa autoestima? Autoestima existe? Se existe, o que ela significa? Dizem que a autoestima está relacionada ao amor que a pessoa tem por si mesma. Mas de que tipo de amor estamos falando? Na mitologia grega encontramos a história de Narciso; um jovem muito bonito e desejado por praticamente todas as ninfas. Narciso se achava e assim menosprezava todas as belas jovens que se sentiam atraídas por tanta beleza. Isso até um dia em que uma dessas belas jovens rogou aos deuses que castigasse Narciso por tamanha soberba e vaidade. Autoestima não tem nada a ver com esnobação. Autoestima tem a ver com confiança, segurança, respeito por si mesmo e consequentemente pelo próximo. Quem se respeita, desrespeita o outro. Em geral, pessoas com problemas de autoestima tendem a projet...

MIXOFILIA OU MIXOFOBIA: QUAL SERÁ O SENTIMENTO DA IGREJA PÓS PANDEMIA?

No livro O amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, Zygmunt Bauman afirma: "A cidade favorece a mixofobia do mesmo modo e ao mesmo tempo que a mixofilia". Confesso aqui minha ignorância. Pensei: "O que ele está querendo dizer com esse jogo de palavras?" Fui pesquisar e entendi que a mixofilia (amor à mistura, estar junto) é o desejo pela boa convivência entre as pessoas que vivem em sociedade. Já a mixofobia é o medo dessa mistura, dessa convivência. A mixofilia aproxima as pessoas. A mixofobia separa. Fiquei pensando: vez por outra a igreja é acusada de mixofobia. Mas, do ponto de vista bíblico, não existe uma organização social que mais promova a mixofilia, a mistura entre as pessoas, do que a igreja. Há vários textos bíblicos que comprovam isso. Por exemplo, na carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo diz: "Pois todos quantos em Cristo fostes batizados, de Cristo vos revestistes. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; porque to...

EROS E PSIQUE: QUANDO O AMOR ACABA!

O amor é revestido de mistério e é justamente quando esse mistério é desvelado, descoberto, que uma pessoa que antes se sentia plenamente enamorada pela outra, diz: "o meu amor acabou". Reza o mito que Psique era uma jovem muito bonita e por conta disso muito admirada pelos mortais. Tal admiração despertou um grande ciúme em Afrodite, a bela deusa do amor, da beleza e do sexo, que condenou a Psique a viver no alto de uma montanha, totalmente isolada dos demais mortais, tendo como destino se tornar noiva de Thanatos, a morte. Que triste sina para uma jovem tão bonita. Abro aqui um parêntesis: a morte ronda o nosso psiquismo. Freud disse que a pulsão movida por Eros, o amor, busca a unidade de todas as partes como forma de preservação da vida. Já a pulsão de morte, regida por Thanatos, busca a desagregação e tem por objetivo o repouso, o fim, como forma de eliminação de toda e qualquer tensão. É no psiquismo que essas duas tensões se debatem e se equilibram. É é a partir ...

O NEGÓCIO & O ÓCIO

A correlação entre essas duas palavras é bem maior do que a maioria das mentes formatadas pelo slogan: "mente desocupada oficina do diabo", podem pensar. De origem latina a palavra negócio (NEGOTIUM), que se refere a transações de compra e venda, é a junção de duas palavras: NEC, um advérbio de negação e OTIUM, que significa: folga, descanso. Negócio, portanto, é a negação do ócio, do descanso e porque não dizer negação do laser, do passeio, do hobby, e por aí vai. A revolução industrial colocou o homem na fábrica apertando parafusos como se fosse um robô. Agora com a revolução tecnológica o robô ocupou o lugar do homem em boa parte das tarefas. O verbo agora não é mais apertar, mas teclar; o que pode ser feito de qualquer lugar, até mesmo do banheiro: basta ter um smartphone nas mãos. Era para ter sobrado tempo, mas não sobrou. Na fábrica a sirene sinalizava o fim do expediente, mas com o advento do homework não tem mais sirene e o trabalho pode entrar noite a dentro de m...

A SUPERANDO AS EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS

A vida é traumática por natureza. Já escrevi um artigo sobre isso. São muitos os fatores que podem gerar um trauma: desastres naturais, exposição a situações de violência, acidentes, perdas, abuso sexual etc. Por conta de todos esses fatores, concluo que estamos vivendo numa sociedade de pessoas politraumatizadas, o que justifica o grande e crescente número de casos de angústia, ansiedade, fobias e tantos outros sintomas psíquicos — e até mesmo somáticos — relacionados à síndrome pós-traumática. “Síndrome” é um termo que vem da medicina e caracteriza um conjunto de sinais e sintomas que podem ter mais de uma causa. (Dic Aurélio) A neurose traumática, como diz Alain de Mijolla, "designa um estado psicopatológico caracterizado por diferentes transtornos que sobrevêm, num prazo mais ou menos longo, em consequência de um intenso choque emocional." Freud foi um dos primeiros a destacar que os traumas que tanto atormentam a nossa vida têm origem na infância, mais especificamente ...

ESCREVA, REESCREVA, FALE, VOLTE A SONHAR!

É muito chato falar de um assunto tão desagradável como o que aconteceu na cidade de Brumadinho, por conta do rompimento de mais uma barragem da companhia Vale do Rio Doce. Mas por outro lado é importante falar como forma de não deixar que essa tragédia passe em branco e venha a se repetir pela terceira vez. Diz o ditado popular que errar uma vez é humano, mas errar duas vezes é burrice. No caso do rompimento da segunda barragem da companhia Vale do Rio Doce, não é burrice. É crime e cabe uma grande punição! Você já deve ter ouvido falar que os três grandes sonhos comuns a todas as pessoas, são: ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Mas e quando depois de tanta luta e esforço os filhos, as árvores plantadas, as anotações escritas na mente, são sepultados pela lama da incompetência, pelo amor ao vil metal? Diz a psicologia organizacional que não é correto chamar os trabalhadores de empregados, mas sim de colaboradores. Mas a luz do descaso da companhia Vale do Rio Doce...

DEPRESSÃO PODE MATAR, MAS ELA TEM CURA!

A despeito dos diversos textos bíblicos que abordam, de modo claro, episódios depressivos na vida de alguns servos de Deus — como, por exemplo, a narrativa da profunda depressão do profeta Elias (1Rs 19) —, foi só recentemente que a igreja evangélica se deu conta de que a depressão é uma doença que exige um tratamento sério. A depressão não tem nada a ver com possessão demoníaca, falta de fé e muito menos com uma “frescura” por parte da pessoa. Fico literalmente indignado com o ressurgimento dos falsos ensinos gnósticos no seio da igreja, em pleno século XXI, que associam qualquer enfermidade à ação demoníaca. Pessoal doido, mal-intencionado, que manipula e distorce as verdades bíblicas, como o texto de Isaías 53, dizendo que crente não pode ficar doente porque Jesus levou sobre si todas as nossas enfermidades. Se crente não pode ficar doente, como explicar as palavras do apóstolo Paulo ao seu filho na fé, Timóteo, jovem pastor da igreja de Éfeso, quando disse: “Não beba somente águ...

FELICIDADE EXISTE?

A vida pode ser comparada a uma linha de trem com suas várias estações. Nesse sentido, a felicidade seria uma dessas estações por onde o trem passa na ida e na volta. Felicidade é assim: ela vai, mas ela volta. O problema é que a maioria das pessoas acha que é possível ser feliz o tempo todo, o que acaba gerando frustração, depressão e angústia — sintomas claros de uma sociedade cada vez mais marcada e dominada pelo imperativo da felicidade. Ser feliz dói? Dói! Por exemplo: a felicidade de um atleta que subiu ao pódio por ter conquistado uma vitória não é a felicidade de alguém que superou os obstáculos com facilidade. Antes de chegar ao pódio, ele sentiu dor — muita dor — por causa dos exercícios. Durante a competição, também sentiu dor, por conta do esforço máximo. Depois da competição, continuou sentindo dor, por causa do forte estresse emocional e físico. É sempre assim: felicidade e sofrimento andam juntos. A questão não é o desejo legítimo de querer ser feliz, mas o pensamento...

O RESTO DE ONTEM

Depois do almoço farto, em que todos saem satisfeitos, a pergunta que a maioria das donas de casa faz é: “O que eu vou fazer com o resto?”. Isso porque, em geral, a porção da comida preparada é sempre maior do que a soma de todos os estômagos presentes. Uma maneira que encontraram para lidar com a sobra da comida foi promover um outro encontro, chamado criativamente de “enterro dos ossos”. Uso essa ideia para dizer que, na vida, sempre existe um resto que transborda para o dia seguinte. Resto emocional que, às vezes, vem de dias, semanas, meses ou até anos. Lidar com o resto de ontem, das nossas emoções, não é tarefa fácil. Como seria bom se pudéssemos fazer um “enterro dos ossos” dos nossos restos emocionais. Mas os restos emocionais não podem ser queimados; na verdade, quando não tratados devidamente, eles é que queimam por dentro. A vida é feita de encontros e desencontros, que sempre deixam um resto. Encontros bons, positivos, deixam restos de alegria, satisfação e felicidade. J...

SUICIDIO DOS ANJOS

As sete cartas escritas às sete igrejas da Ásia (Ap 2 e 3) começam da mesma forma: “Ao anjo da igreja...”. A interpretação mais comum é que essas cartas são endereçadas às igrejas, a partir de seus líderes — os pastores. Mas que tipo de anjo é o pastor? Ele voa? Sente fome? Sente frio? Tem necessidades? A palavra “anjo” (angelus no latim e ángelos [ἄγγελος] no grego) não tem relação direta com a figura do pastor, pelo menos não no sentido pleno da palavra. A única semelhança é se considerarmos o pastor como aquele que é portador de uma mensagem da parte de Deus. Sou pastor há trinta anos e nunca consegui voar, transmigrar, nem mesmo levitar. Também nunca consegui acertar sempre, nem ficar um dia sequer sem pecar. Pastor é gente, de carne e osso. Uns têm mais carne do que osso; outros, mais osso do que carne. Tudo bem! Cada um é cada um. Mas, infelizmente, algumas pessoas — irmãos em Cristo — acham que o pastor é um anjo no sentido pleno da palavra. Mais grave do que isso é quando o p...